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Honduras: Estudantes manifestam-se contra fraude eleitoral

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O anúncio da vitória do candidato apoiado pelos golpistas hondurenhos está a provocar indignação na sociedade. Milhares de estudantes manifestaram-se em Tegucigalpa na quarta-feira, apesar da repressão do protesto da véspera. Artigo de Giorgio Trucchi, da Opera Mundi.

Nem a repressão policial da última terça-feira, nem o cancelamento e a suspensão das aulas no dia seguinte desanimaram as centenas de estudantes que, pelo segundo dia consecutivo, se mobilizaram nas ruas de Tegucigalpa, denunciando uma suposta fraude nas eleições gerais realizadas neste último domingo e exigindo uma auditoria imediata das urnas e a recontagem dos votos.

Com 80% das urnas apuradas, o TSE (Tribunal Supremo Eleitoral de Honduras) já declarou que o candidato oficialista, Juan Orlando Hernández, “é o vencedor das eleições” com 35,26% dos votos. Em segundo lugar ficou Xiomara Castro [mulher de Manuel Zelaya, o presidente deposto pelos golpistas em 2009], do partido Libre (Liberdade e Refundação), que até o momento soma 29.14%.

O Libre e o PAC (Partido Anticorrupção), cujo candidato é o apresentador de televisão Salvador Nasralla, denunciaram um sem número de irregularidades ocorridas durante a jornada eleitoral e não reconheceram os resultados.

Até o momento, o PAC apresentou uma denúncia formal à Procuradoria e assegurou ter provas contundentes da suposta fraude. Por sua vez, Xiomara Castro anunciou que nesta sexta-feira apresentará todas as provas para a imprensa nacional e internacional, além de fazer uma declaração ao povo hondurenho, ocasião em que defenderá a vontade popular.

Nas ruas
“Não à fraude! Não à fraude!” e “Urgente, urgente! Queremos presidente! Que não seja cachureco [nacionalista, partido de Hernández], que não arruine a gente!”, gritavam os estudiantes, que saíram cedo da UNAH (Universidad Nacional Autónoma de Honduras) e se mobilizaram por vários quilómetros, passando por bairros e colónias sensibilizando a população, até chegar em frente às instalações da Universidad Pedagógica, lugar onde tradicionalmente começam todas as mobilizações do FNRP (Frente Nacional de Resistência Popular) e do Libre.

“Ontem reprimiram-nos, atiraram-nos gás e temos alguns companheiros feridos. Hoje fecharam a universidade para que nos desmobilizássemos, mas não irão conseguir. Decidimos sair às ruas e nos juntarmos a outros estudantes para organizar um movimento estudantil contra as fraudes”, disse Moisés Cáceres, do Movimento Estudantil da UNAH a Opera Mundi.

Os estudantes exigem a realização de uma nova contagem das urnas. “Precisamos que sejam auditadas e revistas publicamente todas as urnas, porque a fraude aconteceu não somente nas mesas eleitorais, mas sobretudo durante a digitalização das urnas. Não vamos parar e nos somaremos a todos aqueles espaços de denúncia e mobilização”, afirmou Cáceres.
Durante uma inesperada aparição na Rádio Globo, a candidata Xiomara Castro e o ex-presidente Manuel Zelaya asseguraram que irão continuar sem reconhecer os resultados do TSE. “Nos roubaram as eleições, mas perderam o poder do país, porque quem mandará no Congresso será a oposição”, disse Zelaya.

Mesmo assim, ele assegurou que “houve manipulação de dados, alteração de registros públicos e usurpação da soberania popular”. Por isso, o Libre convoca uma grande assembleia pública para o próximo 30 de novembro.

Fraude
“Claro que houve fraude! Nos asseguraram que iriam ser transparentes e nos equivocamos em acreditar neles. O que esses jovens estão fazendo hoje é exigir a verdade, porque Honduras tem o direito de viver em liberdade”, disse Diana Mendoza, enquanto levantava sua mão e saudava os estudantes universitários.
Chegando à Universidade Pedagógica, os estudantes encontraram os portões fechados com cadeados espessos. Alguns entre eles tentaram pular o portão, outros se sentaram na rua com seus cartazes. Muitos conversavam com os presentes sobre as irregularidades ocorridas no último domingo, como se desempenhassem o papel de guardiões do processo eleitoral.
“Estamos vivendo uma ditadura institucional neste país. Juan Orlando Hernández vinha preparando esta fraude junto com os diferentes poderes do Estado, os quais ele controla e maneja à sua própria vontade. O que virá é algo que nos preocupa, e estes portões fechados demonstram a intenção de querer desmobilizar os que serão o futuro de Honduras. Custe o que custar, esta é uma luta que precisamos vencer”, disse o estudante Rubén Munguía à Opera Mundi.
Para o próximo domingo (1º/12), as organizações sociais, populares, os povos indígenas e afrodescendentes de Honduras se encontrarão na histórica sede do STIBYS (Sindicato de Trabalhadores da Indústria da Bebida e Similares), para analisar a situação e tomar decisões conjuntas e coordenadas ante esta nova conjuntura.
“Este processo eleitoral precisa devolver a institucionalidade às Honduras, retomando o elo democrático que foi rompido com o golpe de Estado. O que estão fazendo agora é aprofundar a crise e polarizar ainda mais a sociedade”, disse Luis Méndez, membro da Plataforma de Movimentos Sociais e Populares de Honduras.

esquerda.net

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