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Diretas: Movimento feminista e artistas fazem ato neste domingo em SP

Os pífios índices de aprovação do governo Temer são ainda menores entre as mulheres. E as propostas de reforma trabalhista e da Previdência encontram maior rejeição entre elas.

Por Tiago Pereira, da Rede Brasil Atual

Para reivindicar o devido protagonismo na luta contra essa ofensiva que retira direitos, que as atinge mais diretamente, e que ainda pretende legislar sobre os corpos das mulheres, e demonstrar toda a “indignação” e “inconformidade”, elas saem às ruas neste domingo (11) no ato Mulheres Pelas Diretas e Por Direitos. Às 11h, no largo do Arouche, centro da cidade.

“A gente não quer só que o Temer caia. A gente quer ele caia pelas nossas mãos. E a gente quer mais que eleições diretas, a gente quer barrar as reformas”, diz Camila Kfouri, que participa da articulação desse movimento de mulheres. A expectativa é repetir as mobilizações bem-sucedidas que culminaram com a derrubada do então presidente da Câmara, o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), um dos símbolos da ofensiva moralista contra os direitos femininos.

Segundo pesquisa CUT-Vox Populi divulgada na semana passada, 77% das mulheres negativamente o governo de Michel Temer (PMDB). Entre eles, esse índice é de 73%. Quando perguntadas sobre as mudanças pretendidas pela reforma da Previdência, 70% delas afirmam que não conseguirão se aposentar. Já a flexibilização da jornada de trabalho é avaliada negativamente por 80% delas. Entre os homens, os números são de 67% e 77%, respectivamente.

“De forma geral, a maioria dos brasileiros avaliam negativamente as duas reformas, é importante frisar, mas quem vai ser mais prejudicada é a mulher. As mulheres são maioria na sociedade e as que mais vão sofrer com tudo isso”, aponta Esther Solano, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Em entrevista à RBA, ambas ressaltam que, dada a sua situação mais precária da mulher no mercado de trabalho, que recebe menores salários e ainda enfrenta a dupla ou até tripla jornada, sobrecarregadas com uma divisão pouco igualitária das tarefas domésticas, o horizonte fica ainda mais nebuloso com as mudanças pretendidas pelo atual governo. Representando 51,6% da população e 47,2% da População Economicamente Ativa, as mulheres respondem por apenas 33,4% das aposentadorias pagas pelo INSS.

“Está claro que uma das razões principais desse golpe é a aprovação dessas reformas que tem como objetivo a aniquilação dos direitos sociais – direitos esses que ainda são pequenos, escassos, mas que precisam ser mantidos. As mulheres são evidentemente a parte mais vulnerável, a parte que vai pagar essa conta mais pesadamente, para manter o macho adulto branco sempre no comando, sempre com mais dinheiro”, detalha Camila, que é psicologa e trabalha com mulheres em situação de violência e vulnerabilidade.

Elas consideram que uma saída via eleição indireta também não serve para pôr fim a crise política. Um dos indicativos da ilegitimidade desse processo é que elas consideram que é zero a chance de uma mulher ser eleita, por um Congresso Nacional, onde elas ocupam menos de 10% das cadeiras.

Por isso, apostam na democracia, substantivo feminino. “Se democracia significa representatividade, é um contrassenso ter uma democracia masculina. A democracia, no Brasil, não pode ser nem masculina nem branca”, diz Esther. “Para os grupos que estão fora do poder, é a única possibilidade. Se, mesmo no regime democrático, estamos sub-representadas, imagina o que seria fora do regime democrático”, acrescenta.

Elas também reivindicam o combate a todas as formas de violência contra a mulher e lutam pela derrubada da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 29/2015, que proíbe o aborto mesmo em caso de risco à vida da gestante, gravidez gerada por estupro ou fetos com anencefalia, hoje considerado legal para estes casos. “A gente está vendo, em termos de costumes, uma exacerbação do fascismo desavergonhado, preponderantemente masculino”, aponta Camila Kfouri.

Sub-representadas nos espaços de poder da política tradicional, as mulheres também lutam por mais voz e visibilidade dentro do próprio campo progressista e de esquerda, daí a ideia de uma manifestação por elas e para elas. “O nosso campo de luta progressista também não presta a atenção à luta da mulher, que continua reproduzindo esse padrão de comícios e debates só com homens brancos”, provoca Esther Solano, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que também participa do ato no domingo.

Se a democracia é apresentada como um valor do feminino, é também a alegria. “É o nosso último reduto, aquilo que eles não podem nos tirar. Vai ter show, um monte de artistas, MCs. É um ato político, vai ter falas de intelectuais, professoras, parlamentares, mas também vai ter muita alegria, muita música. Sem alegria, a gente não vai para frente. Sem alegria, a gente corre o risco de ficar parecido com o outro lado, que só tem ódio. Aqui não é assim. A gente não é movida a ódio”, conclui Camila

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