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Petróleo continuará a ter papel central por muitos anos, diz Gabrielli

José Sérgio Gabrielli de Azevedo, presidente da Petrobras entre 2005 e 2011 e atual secretário do Planejamento da Bahia, presta depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, que investiga denúncias de corrupção na empresa durante compra de refinaria em Pasadena, no Texas foto: Geraldo Magela/Agência Senado

O ex-presidente da Petrobrás e professor da Universidade Federal da Bahia, José Gabrielli, realizou na manhã de hoje, no XVII Confup (Congresso da Federação Única dos Petroleiros), exposição que demonstra como a política atual do governo federal parte de premissas equivocadas sobre o papel do petróleo na economia.

Para ele, o setor petróleo no Brasil está passando por mudanças em três grandes áreas: na exploração e produção, na política de gás natural e no refino e abastecimento. Em todos os casos há redução do controle do estado brasileiro e abertura para empresas estrangeiras.

Na área de exploração e produção, a política do governo está levando o País a se tornar apenas um exportador de óleo cru, sem conexão com o refino e o abastecimento interno. Isso levará a uma aceleração da realização dos leilões de áreas do petróleo, incluindo o pré-sal. Outro impacto é “o abandono ou relaxamento total na política de conteúdo nacional” – que na história recente fomentou a indústria nacional em vários setores, especialmente o naval.

Sobre o gás natural, o movimento do governo e da atual gestão da Petrobrás, de acordo com Gabrielli, é de retirada da companhia do papel central na distribuição. Antes a companhia era dona de toda a cadeia, agora está saindo do setor para abrir espaço para empresas estrangeiras.

As mudanças no refino e abastecimento também estão se dando no sentido da redução do papel da Petrobrás. Segundo o ex-presidente da empresa, há hoje um estímulo para que a companhia se atenha à condição de exportadora de óleo cru.

Equívocos

O discurso que sustenta o conjunto de mudanças do governo é o de que o petróleo tende a deixar de ser importante como elemento estratégico, tornando-se um produto como qualquer outro, uma commoditie como feijão ou arroz, sustenta Gabrielli. A tese seria a de que, por exemplo, os carros elétricos tomarão o lugar dos carros movidos pelos combustíveis tradicionais.

De acordo com o ex-presidente da empresa, no entanto, foram produzidos até hoje 1,5 milhão de carros elétricos, frente a uma frota de 2,6 bilhões de veículos movidos a combustíveis fósseis. “Por mais revolucionária que seja [a expansão do carro elétrico], o impacto vai demorar muito, pelo menos 40 ou 50 anos, para ocorrer”, afirma Gabrielli.

Ele também cita como exemplo o papel atual do petróleo como combustível na área do transporte de cargas em todos os modais, respondendo por 95%. E como matriz energética geral, para todas as atividades humanas, o petróleo responde por algo em torno de 34% a 35%, com previsão de redução para 31% nos próximos 50 anos, mas ainda assim com um papel muito relevante, o que continuará a garantir o seu papel estratégico. “O petróleo não é igualmente distribuído no mundo. A disputa pelas reservas é um elemento central na geopolítica mundial. Todos os conflitos mundiais atuais tem a ver com o acesso ao petróleo”, disse.

 Fonte: FUP

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