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Trabalhadores da hotelaria exigem aumentos salariais

PORTUGAL.- O Sindicato da Hotelaria do Norte (SHN/CGTP-IN) apresentou esta segunda-feira, no Porto, aos patrões do sector, a proposta de aumento salarial de 7,6% em 2018, «sem perda de direitos dos trabalhadores».

A explicação foi dada aos jornalistas por Francisco Figueiredo, dirigente sindical, à porta da Associação Portuguesa de Hotelaria Restauração e Turismo (APHORT), onde se concentraram os cerca de 100 delegados sindicais que participaram na assembleia-geral do SHN que aprovou a reivindicação.

«Queremos negociar aumentos salariais sem perda de direitos. Todos os anos apresentamos propostas e todos os anos a APHORT recusa negociar. Primeiro quer retirar direitos aos trabalhadores, como [remuneração por] trabalho em dia feriado, trabalho noturno ou extraordinário e só depois é que diz que vai apresentar uma proposta», afirmou Francisco Figueiredo.

«É preciso valorizar o trabalho e valorizar os trabalhadores. Os prémios de turismo que a cidade tem recebido também se devem ao esforço dos trabalhadores», referiu.

«A associação patronal tem de perceber isto», frisou, enquanto os delegados sindicais gritavam palavras de ordem como «Isto assim não pode ser, sempre os mesmos a sofrer» ou «Turismo a aumentar, salários a baixar».

Na moção que entregou na APHORT, o SHN reclama «aumentos salariais justos e dignos», em concreto a negociação de uma «tabela salarial com um aumento de 7,6%, o equivalente ao valor da inflação desde 2011», explicou Francisco Figueiredo.

O salário mínimo de 600 euros para o sector e a «negociação do contrato colectivo de trabalho sem perda de direitos» são outras das exigências do SHN.

«Não podemos aceitar que nem sequer a inflação as empresas reponham. Há um aumento crescente no sector, que tem actualmente uma situação excelente», vincou Francisco Figueiredo.

De acordo com o sindicalista, «muitos trabalhadores têm tido aumentos, mas à custa de uma luta empresa a empresa» e «só a negociação com a entidade patronal pode garantir aumentos para todos os trabalhadores».

O SHN contesta, também, «a precariedade, o trabalho ilegal e clandestino e o trabalho não declarado», referindo estarem em causa, por exemplo, «jornadas diárias de 10 ou 12 horas de trabalho».

«Não podemos aceitar que, com este crescimento vindo do turismo, tantas empresas não respeitem direitos dos trabalhadores», observou Francisco Figueiredo.

Na moção entregue na APHORT, a que a Lusa teve acesso, o SHN exige ainda ao Governo «a revogação das normas gravosas do Código do Trabalho e a dinamização da negociação e contratação colectiva».

A par disso, o SHN quer «uma intervenção pronta e eficaz, coerciva e penalizadora por parte da Autoridade para as Condições de Trabalho».

O documento destaca que «a região do Porto e Norte de Portugal obteve 6,8 milhões de dormidas em 2016, esperando-se que obtenha mais de 7,5 milhões no fim de 2017».

«Os resultados são absolutamente estrondosos e a valorização financeira dos serviços prestados vinca esta tendência ao projectar, para ao final de 2017, um proveito total superior a 430 milhões de euros», acrescenta a moção.

abrilabril

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