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Sobre o encerramento do Grupo de revistas Motorpress e o despedimento de cerca de 60 trabalhadores

NOTA DO GABINETE DE IMPRENSA DO PCP.

1. O grupo de revistas Motorpress Portugal que inclui 6 publicações regulares, entre as quais Pais&Filhos, Autohoje e Motociclismo, encerrou no final da semana passada e deixou quase 60 trabalhadores no desemprego. Este facto merece a denúncia e o repúdio do PCP.

O Grupo Motorpress Internacional, proprietário do grupo português, está presente em 22 países da Europa, América e Ásia com mais de 40 publicações e tem ao todo cerca de 1000 jornalistas e profissionais especializados, nomeadamente no sector automóvel.

O encerramento em Portugal segue-se ao fecho em Março da Motorpress Brasil, também pertencente ao Grupo Motorpress Internacional.

Em Portugal, a multinacional Motorpress, que já em 2003 e 2009 procedeu a dezenas de despedimentos, encerrou paulatinamente as diversas revistas, sem que seja conhecido qualquer plano de recuperação ou projecto futuro.

2. A decisão da administração de insolvência, que inclui a Motorpresss Ibérica, motivou o despedimento de cerca de 60 trabalhadores da Motorpress, segue-se ao recente despedimento de 80 jornalistas e outros profissionais do Grupo Cofina e a cerca de 20 da SIC, após um outro semelhante, há cerca de um ano, na Visão, também propriedade do Grupo Impresa.

Todos estes despedimentos visam reduzir equipas para “ajustar a actividade às tendências do mercado”, isto é, cortar nos custos de produção, à custa dos trabalhadores, com despedimentos injustificáveis e também com a precariedade, os baixos salários e o trabalho (quase) gratuito dos estagiários, para recuperar e aumentar a taxa de lucro dos accionistas e promover os negócios futuros.

3. Perante os despedimentos colectivos e as ameaças emergentes de desagregação do Grupo Impresa e de reestruturação do Grupo Media Capital, se se consumar a operação da Altice, e outras situações de encerramento de títulos, dispensas de pessoal, degradação de condições de trabalho, precariedade, baixos salários e redução de meios das empresas prestadoras de serviço público – RTP e Lusa – o PCP alerta para o agravamento da exploração dos trabalhadores do sector e para o impacto destes factores na qualidade e pluralismo da comunicação social em Portugal, com graves reflexos na vida democrática do País.

4. O PCP manifesta a sua solidariedade e apela aos jornalistas e a todos os trabalhadores atingidos pelos despedimentos colectivos para que se mobilizem e lutem em defesa dos seus postos de trabalho; reclama do Governo a adopção de políticas que valorizem o serviço público e combatam a concentração da propriedade dos órgãos de comunicação social; e irá exigir resposta às preocupações destes trabalhadores, questionando o Governo na Assembleia da República.

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