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Manuela defende neutralidade na rede em evento de tecnologia

O fim da neutralidade de rede permite que as operadoras discriminem o tráfego de qualquer site ou serviço em suas redes a fim de obter benefícios financeiros. Ou seja: o usuário vai pagar valores diferenciados para utilizar serviços específicos, caso o fim da neutralidade aconteça.

Há algumas semanas, Gilberto Kassab (PSD), atual ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, comentou que o Brasil não tem como pauta o fim da neutralidade “por agora”. Contudo, rumores da indústria indicam que operadoras já fazem lobby para que a neutralidade vá por água abaixo.

Leia a entrevista na íntegra:

TecMundo: Em primeiro lugar, qual o motivo da visita aqui na Campus Party?

Manuela D’Ávila: Eu vim participar de um debate sobre neutralidade, após convite da própria Campus. A ideia era que todos os pré-candidatos à presidência fizessem um debate sobre a questão, mas eu fui a única que veio. Eu acho que a gente precisa fazer um esforço para transformar isso em um debate nessa eleição. Esse é um tema que interessa todo mundo por várias razões, interessa ao Brasil. Precisamos sair com candidaturas engajadas na construção e na proteção de dados.

E onde estão os outros candidatos que foram convidados?

Manuela D’Ávila: Eu não sei [risos], estão falando que eles têm medo dessa galera e dessa juventude.

Você acredita que o Brasil está mirando o fim da neutralidade de rede?

Manuela D’Ávila: Eu acho que sim, e por duas razões: primeiro, sempre existiram muitos interesses em torno disso, os interesses das teles [empresas de telecomunicações] são milionários, fazem muita pressão. E esse governo agora é um governo refém, refém dos interesses internacionais. Então, de um lado as corporações que querem esse modelo de negócio aqui dentro já queriam antes; e de outro lado, as grandes empresas, das grandes economias do mundo que são representadas pelas políticas de seus governos querem acabar com as oportunidades de negócios para a juventude brasileira.

É bom que a gente compreenda que existem duas dimensões da discussão. Essa individual, de garantir o acesso de todos a tudo, mas existe uma dimensão estratégica do desenvolvimento do país.

Quando a gente fala de tecnologia das coisas, por exemplo, que pode existir um carro autônomo, as grandes montadoras que não são nacionais e dois jovens do interior do RS, SP ou BA, poderão competir na rede em pé de igualdade a gente está abrindo oportunidade de desenvolvimento para o Brasil.

O Brasil precisa da indústria, precisa da indústria criativa, que é a indústria 4.0, para ajudar o país.

Pensando especificamente no usuário de internet, como você enxerga o fim da neutralidade? Como isso poderá ser algo ruim?

Como eu sou uma pessoa de esquerda, eu digo que, em primeiro lugar, porque cria a internet dos poderosos e dos pobres. Isso é o oposto do que a internet se propôs a ser em sua origem.

A internet, não sempre, mas ela tem a perspectiva transformadora na comunicação porque ela garante que todas as pessoas se conectam. Ela permite que um cara faça um rap lá no Rio de Janeiro e que ele faça um upload naquele plataforma do momento. A neutralidade permite também que novos negócios surjam, a menos de 10 anos ninguém esperava que a Netflix virasse o que virou.

Como assim tem um monte de filme? [risos]. O fim da neutralidade impedirá o acesso dos usuários, claro que sempre os mais pobres.

A neutralidade de rede não anda sendo combatida de maneira efusiva pelos candidatos da direita, como você enxerga isso?

Um cara lá do meu estado, que chamava Leonel de Moura Brizola, que diria que são os “interésses”. O fim da neutralidade tem ligação com os interesses de muitos poderosos internacionais e também com relação às teles e empresas de comunicação.

O Brasil está polarizado politicamente e a tecnologia, como podemos observar na plateia da Campus Party também, é majoritariamente composta por homens. Como você olha para isso e como é fazer parte desta discussão da neutralidade?

Eu vim na Campus várias vezes. É uma galera muito jovem e o lugar deles precisa ser o Brasil, não é? O Brasil precisa acolher eles. Eu entendo a indignação deles com a situação. É muito difícil produzir tecnologia em um país que não investe na sua indústria e as oportunidades são diminuídas. É muito difícil. O problema é não compreender por onde se constroem essas saídas.

Essas saídas precisam acontecer. A gente pode pensar em dois países que têm muito desenvolvimento tecnológica: Estados Unidos e Coreia do Sul. Todo o Estado tem uma participação determinante, o problema é que a galera não se informa sobre isso. Mentem muito na própria internet, não é? Divulgam muita notícia mentirosa, passam a acreditar que as coisas caem do céu. É natural o investimento público.

Mas eu também não tenho medo. Me disseram que ali [plateia da Campus Party] tinham algumas pessoas que votavam na extrema-direita, mas estava todo mundo ouvindo de boa. Eu acredito que seja uma galera que estuda muito, que se prepara muito, e que busca o bem do Brasil.

Fonte: TecMundo

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