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Os EUA provocarão uma Terceira Guerra Mundial por causa da Síria?

Primeiramente, a narrativa de que o governo sírio fez um ataque contra civis usando armas químicas não passa de uma repetição do mesmo pretexto que os Estados Unidos de Bush usaram para a invadir o Iraque em 2003.

Por Thomas de Toledo*

Ao longo da guerra, começada em 2011, ataques químicos foram sendo utilizados como “operação de falsa bandeira” para justificar novas agressões estadunidenses à Síria, como em 2014, quando Obama anunciou que bombardaria o país árabe. Agora, o mesmo Trump que sempre desprezou o “resto do mundo” com seu “America first”, posta-se como suposto defensor dos “direitos humanos” para dar continuidade a uma guerra perdida.

Ocorre que Estados Unidos, Inglaterra, França, Arábia Saudita e Israel perderam o conflito para a Síria, que tem apoio de Rússia, China, Irã e Líbano (Hezbollah). A Turquia começou do lado da OTAN e agora pode inclinar-se ao Oriente em função de seus problemas regionais com os curdos. A coalizão ocidental tentou primeiro um golpe de Estado na Síria em 2011, mas fracassou. Depois, financiou grupos terroristas de jihadistas mercenários: novamente falhou. Agora que Assad, com apoio de Putin, praticamente limpou de invasores o território sírio, Trump, May e Macron lançam uma nova cartada: bombardeio com mísseis. Será que teriam coragem de colocar tropas regulares em terra? Como a Rússia e seus aliados reagirá?

Afinal, o que a Síria tem de tão especial? Rotas alternativas de gás e petróleo, uma base naval russa no Mar Mediterrâneo e uma localização estratégica para a China avançar com a Nova Rota da Seda. O fato é que por trás de Trump existe um complexo militar-industrial ávido por novas demandas de armamentos. Os Estados Unidos são uma potência econômica decadente, mas permanecem com incontestável superioridade militar. A Rússia, por outro lado, renasceu em seu poderio bélico diminuído desde o fim da União Soviética e a China é a grande potência econômica do século XXI.

Quanto ao Brasil, é importante ficar claro que o golpe de 2016 foi uma “guerra híbrida” para enfraquecer a aproximação com a Rússia e a China via BRICS, diminuir seu papel como ator regional na América Latina e assegurar o petróleo do pré-sal aos Estados Unidos para uma eventual guerra no Oriente Médio. Nunca se tratou de um combate à corrupção, uma vez que a Lava Jato é a versão tupiniquim da “primavera árabe” e das “revoluções coloridas”, todas operações de “mudança de regime”.

A Síria era um dos melhores países do Oriente Médio em qualidade de vida, com excelentes indicadores sociais. Hoje, metade de sua população está refugiada e estima-se que o conflito gerou mais de 400 mil mortos. Tudo numa guerra sectária e violenta que não poupou sequer sítios arqueológicos de um país que é considerado um dos berços da humanidade

Resta saber se os ataques estadunidenses são um prenúncio de um grande conflito militar envolvendo as potências geopolíticas e que podem ter desdobramentos de uma guerra nuclear, ou se trata-se apenas de uma retaliação pela derrota em campo, que será solucionada no âmbito diplomático. Contudo, as primeiras notas emitidas por embaixadores russos que indicam que haverá resposta, parecem indicar que uma tensão ainda maior está por vir. Com isso, outros focos como a Coreia do Norte, Venezuela e Ucrânia podem tensionar ainda mais. Um barril de pólvora foi aceso e agora para apagá-lo será necessário muita movimentação.

Como bem analisou o prof. Moniz Bandeira em “A Segunda Guerra Fria” e “A Desordem Mundial”, o projeto estadunidense segue sendo “o espectro da total dominação” e o da aliança sino-russa é o da criação uma ordem internacional multipolar. Interesses antagônicos que fizeram com que o mundo voltasse a uma situação tão perigosa quanto a crise dos mísseis em Cuba de 1962, com condições de transformar-se numa guerra mundial. Se essa for a decisão tomada pelos 8 bilionários que sozinhos têm metade da riqueza mundial e seus sócios do Clube de Bilderberg, só nos resta protestar e lutar pela paz.

*Thomas de Toledo é professor universitário.

 

Portal Vermelho

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