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Instituto Vladimir Herzog cobra acesso a documentos citados pela CIA

O engenheiro Ivo Herzog, filho do jornalista Vladimir Herzog e presidente do instituto que leva o nome do pai, assassinado durante a ditadura militar, protocolou nesta sexta-feira, 11, pedido ao ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, para ter acesso aos documentos mencionados pela CIA sobre o conhecimento e autorização do ex-presidente Ernesto Geisel para assassinatos de opositores políticos durante a Ditadura Militar no Brasil.

“Os documentos históricos que narram este terrível capítulo de nossa história e que o Estado brasileiro, através de suas Forças Armadas, proclama estarem destruídos, foram preservados por outra nação”, diz Ivo Herzog no documento encaminhado a Aloysio Nunes.

“O senhor, assim como nossa família, sabe o que foi o terror e a violência promovida pela Ditadura Brasileira. Uma Nação precisa conhecer sua história oficialmente para ter políticas públicas que previnam que os erros do passado se repitam”, diz o texto.

O Instituto emitiu nota, na qual afirma que os documentos disponibilizados pela CIA são mais uma prova de que “não houve porões da ditadura; e sim uma política de Estado de terror, desaparecimentos forçados e assassinatos”.

O texto ressalta que as informações reforçam as conclusões e as recomendações do relatório final da Comissão Nacional da Verdade. Para o instituto, é imprescindível que o país promova uma revisão da Lei de Anistia, de forma a não mais perpetuar a impunidade dos que cometerem crimes durante a ditadura. “É imperativo o reconhecimento, de modo claro e direto, da responsabilidade institucional das Forças Armadas”, continua.

Leia abaixo a íntegra:

Documento confirma relatório final da Comissão Nacional da Verdade

O Instituto Vladimir Herzog vem a público manifestar seu estarrecimento com as informações de que o ex-presidente Ernesto Geisel aprovou a continuidade de uma política de execuções sumárias daqueles que ousavam se manifestar contra a ditadura militar que aterrorizou o Brasil entre 1964 e 1985.

O documento, liberado agora pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, ainda afirma que Geisel teria orientado o então chefe do SNI (Serviço Nacional de Informações) que viria a substituí-lo na Presidência, João Baptista Figueiredo, a autorizar pessoalmente os assassinatos.

Apesar de não haver nenhuma surpresa, essa é mais uma prova de que não houve porões da ditadura; e sim uma política de Estado de terror, desaparecimentos forçados e assassinatos.

Tais informações reforçam de maneira incontestável as conclusões e as recomendações do relatório final da Comissão Nacional da Verdade, publicado em dezembro de 2014, especialmente no que diz respeito à imprescindibilidade de reinterpretação da Lei nº 6.683 – a Lei da Anistia.

A anistia concedida a agentes públicos que ordenaram detenções ilegais e arbitrárias, torturas, execuções, desaparecimentos forçados e ocultação de cadáveres – como o documento do Departamento de Estado dos Estados Unidos atesta – é incompatível com o direito brasileiro e a ordem jurídica internacional, pois tais crimes, dadas a escala e a sistematicidade com que foram cometidos, constituem crimes contra a humanidade, imprescritíveis e não passíveis de anistia.

Desta forma, torna-se urgente a revisão dessa lei, uma vez que, da forma em que está estabelecida, ela perpetua a impunidade, propicia uma injustiça continuada, impedindo às vítimas e a seus familiares o acesso à justiça, e afronta o dever do Estado de investigar, processar, julgar e reparar as gravíssimas e generalizadas violações de direitos humanos cometidas durante a ditadura militar.

Além disso, diante dos novos fatos, torna-se inaceitável a explicação, que até hoje tem sido adotada pelas Forças Armadas, de que tais violações se constituíram em alguns poucos atos isolados ou excessos, gerados pelo voluntarismo de alguns militares.

É imperativo, portanto, além da reinterpretação da Lei da Anistia, o reconhecimento, de modo claro e direto, da responsabilidade institucional das Forças Armadas por esse quadro terrível para que o Brasil possa, efetivamente, promover as mudanças que precisa para garantir a todos seus cidadãos o direito à verdade e à justiça e fortalecer seu Estado democrático de direito.

Instituto Vladimir Herzog
11 de maio de 2018

 Do Portal Vermelho, com Brasil 247 e Carta Maior

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