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O País precisa que as suas empresas estratégica estejam nas mãos do Estado português, para servir o povo e o desenvolvimento do País

INTERVENÇÃO DE JERÓNIMO DE SOUSA, SECRETÁRIO-GERAL, X ASSEMBLEIA DE ORGANIZAÇÃO REGIONAL DE VIANA DO CASTELO.

PCP

As mais fraternas saudações a todos os delegados e convidados presentes na X Assembleia da Organização Regional de Viana do Castelo do PCP.

Realizamos a nossa Assembleia num quadro diferente daquela que se apresentava há quatro anos quando da realização da última Assembleia Regional. Enfrentávamos, havia já quase três anos, uma poderosa e devastadora ofensiva, dirigida pelo Governo do PSD/CDS contra os trabalhadores e os interesses populares que deixou profundas e negras marcas na realidade do País e aqui, particularmente, com o criminoso encerramento da maior empresa de construção naval do País, os Estaleiros Navais de Viana do Castelo e a sua posterior concessão privada, com impactos muito negativos na vida desta Região e nas condições de trabalho dos seus trabalhadores. Hoje ao mencionarmos esse criminoso processo, não podemos deixar de recordar e saudar a luta prolongada e dura travada pelos trabalhadores do Estaleiros Navais, e quanta razão tinham quando afirmavam que eram falsas as justificações para o seu encerramento, afinal havia e há trabalho, como a vida o prova, e que o grande objectivo do governo de então era criar condições para rebaixar e precarizar as condições de trabalho, agravando a exploração, como também se confirma. Uma situação que é preciso reverter, retomando o combate pela elevação das condições de trabalho e dos direitos dos trabalhadores e assegurando a defesa desse importante baluarte da vida e da luta dos trabalhadores de Viana do Castelo.

De facto, foi um período sombrio com graves consequências nas mais diversas dimensões da nossa vida colectiva e que a mudança de líderes dos partidos coligados nesse desastroso governo tentam hoje fazer esquecer, branqueando a sua assanhada política de exploração e empobrecimento com operações de demagogia, sobre tudo e sobre nada, prometendo resolver agora o que nunca resolveram, antes agravaram e destruíram – produção, emprego, salários, direitos, funções sociais, serviços públicos, ampliando os traços mais negativos da política de direita que, anos atrás de anos, foi imposta ao País por sucessivos governos do PS, PSD e CDS.

Dois anos e meio separam-nos já do momento em que, com a iniciativa e o contributo decisivo do PCP, a luta dos trabalhadores e do povo e o voto dos portugueses, se pôs fim a tal governo e se abriu uma nova fase da vida política nacional.

Todos sabemos das limitações da solução política encontrada para dar resposta aos problemas de fundo do País. Nunca o escondemos e sempre o afirmámos.

Todos temos consciência que, com a abertura da nova fase da vida política, apenas se ultrapassou um primeiro obstáculo – o afastamento desse governo PSD/CDS de má memória de – que juntamente com a alteração da correlação de forças na Assembleia da República permitiu dar início a um processo de recuperação das condições de vida dos portugueses, mas que outros obstáculos permanecem que impedem que se vá mais longe na solução dos graves problemas que o País enfrenta.

Desde logo esse grande obstáculo – o da manutenção da política de direita – que continua presente nas opções fundamentais do actual governo e que a vida mostra estar a ser um forte bloqueio ao pleno desenvolvimento do País, mas também de resistência à reposição de direitos, rendimentos e condições de vida extorquidos nestes últimos anos de ofensiva de PEC e Pacto de Agressão.

Mas se assim é, o que implica a continuação da nossa luta pela necessária ruptura com tal política e pela afirmação de uma verdadeira alternativa patriótica e de esquerda, não subestimamos, nem negligenciamos, quer a importância e o significado do passo dado, com a decisiva iniciativa do PCP, que permitiu a travagem da ofensiva que estava em curso e se perspectivava aprofundar, tal como não subestimamos, antes valorizamos os resultados da luta que temos vindo a travar.

Uma luta que, com o decisivo contributo do PCP, permitiu que se concretizasse um importante conjunto de medidas que melhoraram ou vão melhorar a vida de muitos milhares de portugueses.

Medidas nos domínios da reposição de salários extorquidos, na melhoria geral das reformas e pensões, de desagravamento fiscal sobre os rendimentos do trabalho no IRS e do IMI, na reposição dos feriados roubados, no alargamento e na majoração de abonos de família, na gratuitidade dos manuais escolares e outras que agora se alargam à medida que forem sendo concretizadas as medidas previstas no Orçamento do Estado deste ano de 2018, onde pesa e bem a decisiva contribuição do nosso Partido, como é o caso do novo aumento extraordinário das reformas e pensões a concretizar em Agosto próximo. Um novo aumento extraordinário que não existia se não fosse o PCP.

Mas igualmente uma nova redução da carga fiscal sobre os trabalhadores e reformados no IRS, o descongelamento da progressão nas carreiras da Administração Pública, a reposição do valor do trabalho extraordinário e do trabalho nocturno, a eliminação do corte de 10% no subsídio de desemprego, o alargamento do apoio aos desempregados de longa duração, a reposição do subsídio de Natal, entre outros.

Medidas que são avanços que vão para além do que o PS admitia nos seus programas eleitoral e do próprio governo.

Não se duvide! Fosse outro resultado das eleições e fosse possível a formação de um governo maioritário do PS, fosse outra a correlação de forças na Assembleia da República e muitos dos avanços conseguidos não estariam concretizados.

E isso remete para outra questão, bem evidente nestes tempos da nova fase da vida política nacional: – o que conta e o que se decide em eleições legislativas é, não a escolha de um primeiro-ministro, mas sim a eleição de deputados e da sua distribuição na Assembleia da República. Por isso é tão importante dar força ao PCP! Porque quanto mais força tiver o PCP mais pode fazer deslocar a balança da governação e das medidas a favor dos trabalhadores e do povo.

Este é um trabalho que temos que tomar em mãos, junto de largas massas, ganhando-as para a justa ideia de que o desenvolvimento do País precisa de um PCP forte, capaz de pesar na solução dos seus problemas.

Dir-se-á que o que temos conseguido está aquém do necessário e do possível. Sem dúvida! Mas são avanços que queremos e devemos lutar para que se aprofundem.

São medidas, algumas das quais arrancadas a muito custo, superando evidentes resistências, ultrapassando inaceitáveis pressões internas e externas e as contradições existentes na política do partido do governo.

Medidas que tiveram o mérito de contribuir para a dinamização da economia e do emprego.

Hoje fala-se de sucesso. Mas se há algum sucesso, ele nada deve, nem às políticas do governo anterior, como alguns dos apóstolos da política de empobrecimento e da exploração apregoam, nem tão pouco é o resultado de mudanças significativas das políticas económicas e orçamentais do actual governo como outros querem fazer crer.

Se há sucesso na economia e no emprego deve-se em muito grande medida – e esse é que é o grande e determinante elemento diferenciador – à política de reposição de rendimentos e direitos que dinamizaram o mercado interno e deram um impulso à economia em geral, confirmando o que o PCP sempre afirmou e defendeu.

E esse é o caminho que é necessário prosseguir. E é com esse objectivo que continuamos a nossa luta, não desperdiçando nenhuma oportunidade para melhorar as condições de vida e de trabalho dos portugueses.

Um caminho que está a enfrentar novas ameaças, novas resistências, novas pressões visando conter, paralisar e, se pudessem, inverter o rumo de defesa, reposição e conquista de direitos.

São os pronunciamentos sobre apocalíticos futuros, vindos de membros do governo, que fazem depender o sucesso do País da travagem na reposição do roubo nos rendimentos e direitos e do investimento, em nome do cumprimento já não só dos abstrusos critérios do Euro, mas de objectivos próprios de redução do défice e da dívida que vão além deles, justificando a necessidade de mais uns anos com salários congelados, serviços públicos degradados, investimento restringido e muito aquém das necessidades de promoção do desenvolvimento do País.

Afirma-se que não se pode pôr em causa o sucesso e “dar o passo maior que perna”, mas a perna nunca falta, mesmo quando se diz que é curta, para cobrir os desmandos da banca e encher os bolsos ao grande capital, incluindo com chorudos benefícios fiscais de milhões.

Mas são também as orientações constantes no Programa de Estabilidade que há dias o governo aprovou para apresentar perante a Comissão Europeia.

Mais um Programa que constitui um factor de condicionamento da soberania nacional e de ingerência nas opções macroeconómicas e orçamentais que cabem ao povo português e aos seus órgãos de soberania.

Nele destaca-se a trajectória que é desenhada para a redução do défice das contas públicas, apontando para 0,7% do PIB em 2018 e 0,2% do PIB em 2019, revendo em baixa projecções anteriores, mas também, os valores inscritos para o pagamento dos juros da dívida pública, cerca de 35 mil milhões de euros nos próximos quatro anos, e que constituem um autêntico sorvedouro de recursos do País e que, no conjunto com o défice, a concretizarem-se, travam a necessária resposta que é preciso dar nos planos do Serviço Nacional de Saúde, da Escola Pública, dos transportes públicos, da contratação de pessoal, do investimento nas infraestruturas, da cultura, da floresta, do apoio à produção nacional.

É uma opção que revela a incompatibilidade entre a defesa dos interesses nacionais e as imposições da União Europeia e que agora se agrava também com a proposta da Comissão Europeia de Quadro Financeiro para o período 2021-2027, apresentado também há dias.

Uma proposta que, a concretizar-se, contribuirá para o aprofundamento da divergência de Portugal face a outros países na União Europeia, e não para a diminuição das injustiças e desigualdades. Um corte no financiamento a atribuir a países que, como Portugal, têm sido mais prejudicados com a submissão ao Euro e às políticas da UE, e um aumento de rubricas nas áreas da defesa e indústria militar e em políticas securitárias, em detrimento das verbas afectadas à política de coesão, mas também das verbas da Política Agrícola Comum.

Um Orçamento que reclama do Governo português uma atitude firme e enérgica na defesa dos interesses nacionais.

Novas ameaças, novas resistências, novas pressões que permanecem como uma grande preocupação também, porque o PS e o seu governo, não só não se descola dos seus compromissos com os interesses do grande capital e da sua submissão às imposições do Euro e da União Europeia, como procura, em convergência com o PSD e CDS, assegurar que tais interesses se mantenham intocáveis e inatacáveis.

É significativo o recente acordo subscrito ao mais alto nível entre as direcções do PS e do PSD quanto à transferência de competências e desconcentração e sobre o próximo Quadro Financeiro da União Europeia.

Não se trata de um acordo sobre matérias marginais, mas sim de opções em áreas cruciais quanto a opções que, ao longo de décadas, têm sido determinadas pela política de direita e feito convergir PS, PSD e CDS.

Em relação ao Quadro Financeiro, ele enquadra todos os elementos estratégicos e todas as orientações de aprofundamento da integração capitalista, responsável pelo desenvolvimento desigual, injusto e assimétrico da União Europeia.

No que respeita à parte do acordo sobre a transferência de competências para as autarquias locais, apresentada sob a falsa e equívoca designação de descentralização, ele traduz mais um passo no objectivo de desresponsabilizar o Estado por funções que lhe competem, transferindo encargos para as autarquias, sacudindo para cima do Poder Local a justa insatisfação da população pela ausência de respostas na saúde, na educação, na habitação, na cultura, no património, nos transportes e em alguns outros domínios.

Tudo feito sem divulgação rigorosa de informação quanto a meios e condições, que faz muito justamente temer que aquilo que se prepara é, de ciência certa, uma transferência de encargos, de subfinanciamento e sub-investimento.

Descentralizar é bem mais do que PSD e PS preparam:

– envolve a regionalização sem a qual não haverá uma delimitação coerente de competências entre os vários níveis de administração;

– exige a reposição das freguesias com o que isso representa de proximidade e participação democrática;

– impõe a afirmação plena da autonomia administrativa e financeira que constitucionalmente o Poder Local tem consagrado;

– exige uma proposta de Finanças locais que não seja uma mão cheia de muito poucas garantias.

Mas significativo é também o que tem acontecido nestes últimos tempos em matéria de legislação laboral, com o PS, PSD e CDS a formarem juntos um bloco de oposição às propostas do PCP de alteração às normas gravosas da legislação laboral, como aconteceu recentemente com a proposta relativa ao banco de horas, à proibição da caducidade dos contratos colectivos de trabalho e à proposta de reposição do princípio do tratamento mais favorável ao trabalhador.

PS, PSD e CDS têm chumbado tudo, numa convergência que atesta os fortes laços de classe que os unem quando se trata de optar pelos interesses do capital e os limites do governo do PS e da sua política em matéria de valorização do trabalho e dos trabalhadores.

Uma convergência que mostra que o PS não vai no bom caminho quando se junta ao PSD e CDS, em vez de romper com as políticas do passado de exploração e empobrecimento dos trabalhadores e do povo.

Por isso é necessária e justa a luta dos trabalhadores. Essa luta que há dias esteve presente em mais de 40 localidades do País nas celebrações do 1º de Maio, envolvendo muitos milhares de trabalhadores que saíram à rua, ao apelo da CGTP-IN, numa grande e expressiva manifestação da sua força reivindicativa em defesa dos seus direitos e justos anseios, nomeadamente por um aumento geral dos salários e do Salário Mínimo Nacional para 650 euros a partir de Janeiro de 2019. Uma reivindicação que tem todo o apoio do PCP!

Uma exigência mais que justa, tendo em conta a evolução desequilibrada da distribuição do Rendimento Nacional, num País onde os salários estão praticamente estagnados, enquanto os lucros crescem a dois algarismos.

Efectivamente, enquanto os salários reais subiam umas décimas em cada ano, (em 2015, 0,3%; em 2016, 0,4% e em 2017 pouco mais 0,6%), a riqueza dos “25 mais ricos de Portugal” crescia, em apenas dois anos – 2016 e 2107 -, 26,9%. Só as empresas cotadas na bolsa lucraram 3 500 milhões de euros em 2017, uma subida média de lucros de 12% em relação a 2016.

Mas veja-se qual é o peso dos salários nos custos da produção: – nas grandes empresas com mais de 250 trabalhadores que não passa dos 11,5% e nas empresas entre 10 e 50 trabalhadores é um pouco mais, ronda os 17%. Quando os ouvimos falar que é preciso ter em conta a competitividade da economia para justificar salários reais estagnados anos e anos, estes números mostram a falácia da sua argumentação.

Uma evolução que mostra que não basta fazer crescer a economia. É preciso que ela seja colocada ao serviço de todos!

Tal como é justa a exigência que este 1.º de Maio de 2018 projectou da necessidade da redução do horário de trabalho para 35 horas para todos os trabalhadores, neste tempo marcado por novos avanços científicos e tecnológicos que devem servir para melhorar as condições de vida e de trabalho, reduzir particularmente a penosidade do trabalho, alargando o direito ao descanso, à presença na família, ao lazer e à cultura e não apenas apenas instrumento de acumulação de lucros para alguns.

Uma exigência que o PCP acompanha e traduziu há muito em proposta legislativa que apresentou na Assembleia da República.

Uma proposta que estará para discussão no próximo dia 18 deste mês de Maio.

Foi com a luta que se conseguiram avanços na reposição de direitos e rendimentos, será com a luta que se conseguirão novas conquistas.

Luta que precisa de continuar a crescer e avançar nas empresas, nos locais de trabalho, nas ruas, confluindo para a grande manifestação nacional já marcada pela CGTP-IN para 9 de Junho em Lisboa, pela exigência da valorização do trabalho e dos trabalhadores, pela defesa, reposição e conquista de direitos e rendimentos, pela exigência de medidas de combate à precariedade e ao desemprego.

São muitos os problemas com que os trabalhadores, o povo e o País estão confrontados, em resultado da política de direita e de recuperação capitalista e monopolista. Problemas que estão patentes nos enormes défices estruturais que hoje temos não só no plano no social, mas também nos planos produtivo, energético, científico, alimentar, demográfico e nos serviços públicos.

A Resolução Política da nossa Assembleia dá-nos conta, em muitos domínios, da situação em que nos encontramos e dos inúmeros problemas que este distrito de Viana continua a enfrentar, apesar de alguma recuperação. Liquidação do aparelho produtivo, fecho de empresas, baixos salários, elevado desemprego e elevada precariedade, agravamento da situação da agricultura familiar e das pescas, fraco e desequilibrado investimento público, num território marcado por grandes assimetrias, situações de pobreza extrema, graves problemas de habitação, degradação dos serviços públicos e das funções sociais do Estado, nomeadamente na saúde e educação.

Problemas que são bem a expressão dessa política de direita, e mais recentemente, das políticas dos PEC e do Pacto de Agressão subscrito por PS, PSD e CDS, que esta Assembleia identificou e na solução dos quais avançou com propostas e medidas. Contributos importantes dos comunistas deste distrito que são orientações para os nossos combates futuros pelo seu desenvolvimento.

Mas um exemplo gritante das consequências negativas dessa política de direita, de concentração e centralização da riqueza, das privatizações, da financeirização da economia, a que justamente chamamos de casino, são todo o tipo de esquemas de enriquecimento rápido, de negociatas, de fraude, de corrupção a que ciclicamente assistimos.

Esquemas que surgem no espaço público, sempre associados às relações de despudorada promiscuidade e submissão do poder político ao poder económico, às ligações de quadros e dirigentes de grandes empresas e grupos económicos com responsabilidades governativas em sucessivos governos.

Neste momento é o caso das rendas da energia, ou dizendo melhor, dos super lucros obtidos pela EDP, que envolve o ex-ministro Manuel Pinho, mas podíamos acrescentar um longo rol. PT, CTT, SIRESP, ANA-aeroportos, banca, submarinos, que são exemplos de privatizações, concessões, PPP, que se enquadram em processos de favorecimento dos grandes interesses económicos, de contornos nebulosos, com graves consequências para o País: perda de instrumentos estratégicos; perda de capacidade de decisão; rendas, subsídios, entrega de receitas aeroportuárias e de portagens, e outros benefícios.

A situação que se está a passar com a EDP, com uma anunciada OPA para a sua aquisição, coloca uma questão em evidência: uma empresa que é estratégica para os interesses nacionais, da qual depende grande parte da economia portuguesa, tal como o conjunto de equipamentos e funções públicas, não pode estar sujeita à disputa por parte de grupos económicos ou de Estados estrangeiros sobre o seu controlo accionista. Aquilo que pode e deve ser determinante para o futuro da EDP é a recuperação do controlo público da empresa eléctrica nacional.

Aquilo que o País precisa é que as suas empresas estratégicas, em vez de estarem nas mãos de grupos económicos americanos, alemães, franceses, espanhóis ou chineses, estejam nas mãos do Estado português, para servir o povo, para servir o desenvolvimento do País.

O PCP nunca se deixou levar pelos cantos de sereia das privatizações. Antes pelo contrário assumiu uma posição de forte e contínua denúncia ao longo dos anos, mas também o combate com propostas concretas, não apenas para reverter e recuperar para o sector público os sectores básicos e estratégicos da economia nacional, e para contrariar as práticas de submissão, corrupção e conluio com os grupos económicos.

Propostas defendidas pelo PCP e rejeitadas com a convergência entre PS, PSD e CDS, fragilizando o combate à ilicitude não apenas no sector energético, mas em todos os sectores onde os escândalos das privatizações foram acompanhados das suspeitas que alguns só agora descobriram, eclipsando as causas que estão na sua origem e sacudindo responsabilidades próprias em toda esta evolução e processo.

É inquestionável a necessidade de uma apurada e célere investigação aos casos como o de Manuel Pinho, mas é preciso mais. É preciso uma avaliação mais abrangente. Foi com esse objectivo que propusemos o alargamento da comissão de inquérito para que pudesse escrutinar todas as situações. O BE recusou essa possibilidade de o inquérito ser mais amplo, mas o PCP continuará a intervir para que também essas situações sejam apuradas

Esse tem sido o nosso combate de sempre, e é um combate que prosseguiremos.

Combate em que se integram outras propostas já apresentadas, algumas das quais estão em discussão: enriquecimento injustificado, combate aos off-shores, à fuga de capitais e à criminalidade económica e financeira, reforço da cooperação judiciária internacional, reforço dos meios de fiscalização e inspecção do Estado, reforço dos mecanismos que impedem os membros do governo de transitar para os conselhos de administração dos grupos económicos, controlo apertado do registo de interesses e de situações de incompatibilidades.

Algumas destas propostas ainda estão em discussão na Assembleia, outras já foram rejeitadas nesta Legislatura pela convergência entre PS, PSD e CDS.

Há quem queira dar por terminado este combate que estamos a travar pela recuperação de rendimentos e direitos, em defesa dos serviços públicos e das funções sociais do Estado, pelo desenvolvimento do País nestes tempos da nova fase da vida política nacional.

Mas essa não é a nossa perspectiva!

Ainda a meses de se conhecer o Orçamento do Estado para 2019 sucedem-se comentários e vaticínios.

Ouvimos há poucos dias o Presidente da República pronunciar-se pela viabilização do Orçamento com um determinismo que surpreende: o que importa é que ele seja aprovado, não interessa como, nem com que conteúdo. O Orçamento do Estado pode ser contrário aos interesses nacionais, o que importa é que haja.

Agora o primeiro-ministro faz depender a continuação do Governo da aprovação do documento.

Reafirmamos o que temos afirmado. O PCP manterá a sua intervenção no quadro da sua independência, determinado como sempre fez, pelo seu compromisso com os trabalhadores e o povo. Os Orçamentos do Estado são um importante instrumento de resposta aos problemas nacionais.

Mas não são o único. As opções que moldam as condições para o desenvolvimento do País, a resposta aos direitos dos trabalhadores e do povo, a afirmação da soberania, estão para lá dos Orçamentos do Estado.

Como temos visto em áreas tão decisivas como a dos direitos dos trabalhadores, salários, funções sociais e serviços públicos, saúde, educação, segurança social, transportes, controlo público de sectores estratégicos, é conhecida a convergência de PS, PSD e CDS.

Sejamos claros quanto ao Orçamento do Estado de 2019. A proposta é da responsabilidade do governo minoritário do PS. Não há nenhuma maioria parlamentar nem nenhum acordo que garanta em abstracto a sua aprovação.

É do exame concreto que dele fizermos, da verificação se ele corresponde aos interesses dos trabalhadores e do povo, do caminho que faça no sentido de avanço na reposição e conquista de direitos que decidiremos. O PCP não desperdiçará nenhuma oportunidade para fazer avançar direitos e salários.

É isso que temos feito. Sem a intervenção do PCP e sua contribuição decisiva muito do que foi conquistado não o teria sido. É isso que continuaremos a fazer. Não peçam ao PCP para assinar de cruz, seja o que for!

O PCP, com os trabalhadores e o povo português, vai intervir para que no Orçamento do Estado, e para além dele, sejam dadas as respostas necessárias para os salários e os direitos dos trabalhadores, para os jovens e os reformados, para os pequenos e médios empresários, para os agricultores, para a saúde, a educação, as pensões de reforma e os apoios sociais, para os transportes, a habitação, a cultura.

Com os trabalhadores e o povo, o PCP vai intervir para a ruptura com a política de direita, por uma política patriótica e de esquerda, por um Portugal com futuro.

O PCP vai continuar a bater-se pela reposição completa dos direitos que ainda não foram assegurados e a não desperdiçar nenhuma oportunidade de contribuir em todas as circunstâncias para a elevação das condições de vida dos trabalhadores e do povo.

Tal como continuará a lutar, com os trabalhadores, o povo e a sua luta pela ruptura com a política de direita, impedir que ela prossiga seja pela acção do PSD e do CDS, pela acção do PS sozinho ou não, e construir uma política alternativa, patriótica e de esquerda.

Por aqui passou a importante actividade desenvolvida pelo conjunto dos militantes e das organizações do Partido nos mais diversos domínios da vida deste distrito e das suas populações.

Todos nós sabemos que o caminho que estamos a percorrer não está isento de dificuldades.

Para o êxito do nosso trabalho e para a afirmação de uma alternativa patriótica e de esquerda são de particular importância as tarefas do reforço da organização e intervenção do Partido.

A Resolução Política da nossa Assembleia Regional identificou com muita clareza as tarefas do reforço da organização do Partido, em particular nas empresas e locais de trabalho, na elevação da militância, na responsabilização de quadros e no reforço do recrutamento, mas também na melhoria da situação financeira, tomando medidas para aumentar o valor das quotas e do número de camaradas com as quotas em dia.

É muito positiva essa definição que aqui se estabeleceu de objectivos concretos, nomeadamente em relação ao recrutamento de mais 60 membros para o Partido, mas igualmente a definição da meta de responsabilização de mais 40 novos militantes nas tarefas de direcção e organização partidária. Nós estamos confiantes que o vamos conseguir.

Como salientou o nosso Comité Central na sua reunião de Janeiro deste ano, as tarefas do reforço da organização se são uma constante do nosso trabalho, nestes tempos imediatos têm que merecer um redobrado esforço do conjunto das nossas organizações, desde logo porque este é um ano de emissão do novo cartão de membro do Partido.

Trata-se de uma tarefa que exige uma atenta preparação de todas as organizações neste acto de renovação do compromisso de militância e que, precisamos de garantir, seja uma grande acção de contacto com todos os membros do Partido. Ela é a oportunidade para reforçar a ligação e integração do conjunto dos militantes do nosso Partido.

Esta é uma tarefa para o imediato, tal como a da organização e intervenção nas empresas e locais de trabalho, elemento central da natureza de classe do nosso Partido, do seu reforço, da intensificação e alargamento da luta de massas, da concretização dos seus objectivos e projecto.

Temos no plano nacional o objectivo de realizar 5 mil contactos com trabalhadores até ao final de 2018, dando a conhecer as razões pelas quais devem aderir e reforçar o PCP. Estou certo que vamos concretizar com êxito esse plano e que as organizações do distrito de Viana do Castelo vão dar, mais uma vez, o seu imprescindível contributo, concretizando a meta aqui definida de 150 contactos até ao fim do ano.

Sabemos que temos que fazer muita coisa e ao mesmo tempo. Mas aqui estamos sabendo que são grandes e exigentes as tarefas que a actual situação coloca ao PCP, mas tudo fazemos para as concretizar.

Neste tempo exigente, com a força da organização, da militância, do seu ideal e projecto, em estreita ligação com os democratas e patriotas, os trabalhadores, a juventude, o povo português, o PCP toma a iniciativa e avança nesta luta que continua por uma política patriótica e de esquerda, por uma democracia avançada, inspirada nos valores de Abril, por um Portugal com futuro, pelo socialismo e o comunismo.

 

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