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Só serviços mínimos em greve contra agente único

PORTUGAL.- Os ferroviários da CP, Medway e Takargo cumprem esta terça-feira uma greve de 24 horas, face à insistência do Governo em manter a norma que permite a circulação dos comboios com apenas um trabalhador.

Convocada por uma frente conjunta de sete estruturas sindicais, a greve de hoje está a registar uma adesão quase total dos trabalhadores ferroviários, em linha com a que foi registada na anterior de 4 de Junho, estando a pouca circulação a ser assegurada pelos serviços mínimos.

A paralisação abrange o transporte de mercadorias, realizado pela Medway (antiga CP Carga) e a Takargo, por 24 horas, a decorrer desde a meia-noite de hoje, e o transporte de passageiros assegurado pela CP, que começou a partir das 12h de hoje e decorrerá até à mesma hora de amanhã.

José Manuel Oliveira, coordenador da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans/CGTP-IN), afirmou aos jornalistas ser um «dia de adesão praticamente total dos ferroviários», tratando-se de um claro «sinal para o Governo abrir a mesa de negociação no sentido de encontrarmos uma solução para este conflito».

Em causa está a norma do agente único no Regulamento Geral de Segurança (RGS), que permite às empresas ferroviárias a possibilidade de optarem pela circulação ferroviária com apenas um agente, ou seja, com apenas o maquinista. O Governo, através do ministro das Infraestrutras, voltou a reafirmar que rejeita qualquer alteração a este ponto.

Uma medida que tem um único propósito, alertam os ferroviários, reduzir os custos operacionais para as empresas privadas e tornar mais atractivas as propostas de concessão de vários troços, a propósito da liberalização do sector no próximo ano. Uma medida que é feita à custa da segurança, denunciam, tanto dos trabalhadores, como dos utentes ou mercadorias.

Os trabalhadores reivindicam assim uma garantia na regulamentação de uma norma para que todos os operadores ferroviários garantam a circulação com dois  trabalhadores. Além disso, apontam que, apesar de a CP ter uma norma que já define isso, esta é «apenas uma declaração de intenções», que pode ser «mudada no futuro por uma outra administração».

«Em questões de segurança, o Governo tem que se colocar ao lado da segurança das pessoas (utentes e trabalhadores) e dos bens, salvaguardando assim também centenas de postos de trabalho», acrescentam.

abrilabril

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