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Jornalistas e juristas falam do preparo e coragem de Manuela

O enfrentamento da pré-candidata à Presidência da República pelo PCdoB, Manuela D’Ávila, na dita “entrevista” ao Roda Viva, repercute nas redes sociais e no meio político. Diversas manifestações de apoio e elogios pelo desempenho.

“Roda Viva escolheu a dedo os entrevistadores/provocadores. Joel Pinheiro é um ultraliberal. Autor de um livro sobre meritocracia, seu ‘mérito’ é ser filho de Eduardo Giannetti, mentor de Marina Silva. Ele também ‘contribui’ com o Partido Novo, antro da cloaca empresarial nativa”, comentou o jornalista Altamiro Borges, do Centro de Mídia Alternativa Barão de Itararé.

Durante boa parte do programa a pauta era saber o que Manuela pensava sobre Stalin, Mao e Venezuela. Isso quando Frederico D’Avila, um dos entrevistadores e diretor da Sociedade Rural Brasileira e assessor de Jair Bolsonaro – não sacava da manga a tese daqueles que fugiram das aulas de história. Espumando pelas ventas, Frederico veio com a velha ladainha de que o fascismo é “de esquerda” e a CLT que Manuela defende como garantia dos direitos dos trabalhadores foi baseada em uma lei de Benito Mussolini.

“Tu entendes de regimes antidemocráticos sendo coordenador do Bolsonaro. Ele defende um país sem democracia, de torturadores… Todo mundo sabe que o fascismo foi um movimento de direita”, rebateu.

“Frederico é uma decretação de falência dos princípios da TV Cultura”, resumiu o editor do DCM, Kiko Nogueira, ao falar sobre a participação dele no programa.

Renato Bazan, jornalista e produtor de TV, afirmou que os entrevistadores do Roda Viva mostraram “toda a malícia conservadora e machista que domina a grande imprensa brasileira”.

“Manuela está cercada de jornalistas menos interessados em seu projeto e mais em vê-la tropeçar nas perguntas-pegadinha normalmente direcionadas aos comunistas brasileiros. Não a levam a sério. Um dos imbecis na bancada chegou a perguntar se ‘o nazismo é de esquerda’, para o horror de qualquer profissional sério”, enfatizou.

Para o ativista de direitos humanos e advogado Renan Quinalha, Manuela se mostrou gigante ao não se dobrar diante da covardia da bancada.

“Eles não queriam ouvir, tanto que interrompiam a cada minuto a fala dela, eles queriam apenas diminuí-la. Aquela bancada era uma mistura de anticomunismo saudoso da Guerra Fria com ignorância sobre a história e muitas pitadas de psicopatia e machismo”, sintetizou Quinalha.

Sobre a participação de Frederico, membro da equipe de Bolsonaro, Renan Quinalha salientou a discrepância diante do fato do pré-candidato sequer aceitar ir ao programa, mas ter o direito a ter um representante para questionar seus adversários.

“Como a produção do programa admite isso? Não vai ao programa debater, mas pode indicar alguém para entrevistar que fica verbalizando as posições do candidato covarde?”, questionou.

Para o renomado cineasta Jorge Furtado, apesar da “indigência das perguntas e da desonestidade intelectual dos entrevistadores”, Manuela se saiu muito bem.

“Impressionante a capacidade da imprensa brasileira, e em especial da TV Cultura, de desencavar papagaios de aluguel, gente sem espinha dorsal, feliz em pensar exatamente como o patrão manda. Eles parecem mais preocupados com a opinião da candidata sobre o Stalin do que com os 60 mil mortos a bala e os 14 milhões de desempregados no Brasil golpista”, afirmou Furtado.

Para o professor Laurindo Lalo Leal, a entrevista de Manuela mostrou que o “fundo do poço da TV Cultura é muito mais profundo”.

“É por essas e outras que a comunicação pública até hoje não se consolidou no Brasil. A história da Fundação Padre Anchieta é trágica. Contei um pouco dos seus primórdios na década de 1980 no livro Atrás das Câmeras. O professor Octávio Ianni, no prefácio, transcreve a seguinte citação: ‘Se você pensar bem na história da TV Cultura, você se assusta. Parece uma história de assombração, que chega a atingir momentos de terrível brincadeira’. A Manu que o diga”, comentou.

Juristas

A desembargadora Kenarik Boujikian, do Tribunal de Justiça de São Paulo, também comentou pelas redes sociais o desempenho de Manuela. “Violência política sexista. Vimos muito com Dilma, com várias deputadas e ontem com Manuela, que foi maravilhosa. Lute como uma garota!”, sublinhou a desembargadora.

Silvio Almeida, advogado, professor e presidente do Instituto Luiz Gama, classificou a entrevista como “violência pura”.

“Um show de machismo e desrespeito, uma covardia que duvido que se repetiria com um homem. Meu repúdio aos entrevistadores e ao apresentador, que não foram dignos deste programa tão tradicional e importante. Minha solidariedade à deputada Manuela D’Ávila que enfrentou com coragem as agressões e se opôs dignamente à ignorância travestida de jornalismo”, afirmou Silvio.

O também advogado Luciano Rollo Duarte classificou a entrevista como “desserviço misógino e fascitoide”.

Segundo ele, Manuela “foi injusta e levianamente tratada no programa Roda Viva como uma presa”, mas se saiu bem.

O jurista e professor da PUC Pedro Serrano também considerou que Manuela se saiu bem, diante dos ataques que sofreu durante todo o programa. “Parece que, por ser mulher, tomou mais pancada. Não deixavam terminar o raciocínio. Machismo bruto”, avaliou.

Para o professor da Unesp e jornalista Juarez Xavier, Manuela “respondeu com projetos políticos às agressões no programa chamadas de ‘entrevista’”.

Do Portal Vermelho

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