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Ferroviários têm soluções para a degradação do sector, PCP quer que sejam ouvidas

PORTUGAL.- O PCP quer que as comissões de trabalhadores do sector ferroviário sejam ouvidas no Parlamento, depois de estas denunciarem responsabilidades na degradação da ferrovia.

O requerimento para a audição das comissões de trabalhadores (CT) da CP, da EMEF, da Infraestruturas de Portugal e da Medway pela Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas foi entregue ontem. No documento, os deputados comunistas fazem referência à situação em que se encontra a Linha do Alentejo, evidenciada pela avaria de uma composição em Vila Nova de Baronia (Beja), que ficou horas parada durante a noite, sem luz, numa zona isolada e com temperaturas acima dos 40 graus.

O PCP refere um documento entregue pelas estruturas representativas dos trabalhadores do sector à Assembleia da República, em Junho passado, em que alertam para a situação de degradação da ferrovia, apontam causas e responsabilidades, e avançam com propostas.

Ferroviários: governos degradaram o sector

As CT denunciam a divisão do sector em várias empresas iniciada na década de 1990, com a retirada da CP das oficinas de reparação e manutenção do material circulante, com a criação da EMEF, e da infra-estrutura (linhas, estações, sinalização e comunicações), com a constituição da REFER (hoje, Infraestruturas de Portugal). Entretanto, a CP Carga (hoje, Medway) foi privatizada pelo anterior governo, que pretendia ainda entregar a privados a Linha de Cascais.

Segundo os trabalhadores, esta divisão veio agravar a degradação que resulta do desinvestimento por parte dos governos, com a redução de efectivos em todas as empresas do sector, por exemplo. A degradação do material circulante, segundo as estruturas, resulta não só do seu envelhecimento – não são compradas novas composições há 20 anos e os comboios da Linha de Cascais têm 60 anos, referem –, mas também da incapacidade da EMEF em dar resposta às necessidades de manutenção e reparação, que, devido ao envelhecimento da frota, são crescentes.

A EMEF, para além da falta de trabalhadores, também sofre com falta de peças, que deixaram de ser compradas de forma programada. Esta realidade leva «a que se empreguem materiais menos adequados, se façam compras de pequenas quantidades que acabam por sair mais caras do que as aquisições planeadas a médio prazo de maiores quantidades», referem as CT.

Solução passa por contratações e mais investimento

Para as estruturas representativas dos trabalhadores, a solução passa pela contratação de trabalhadores para todas as estruturas do sector (das empresas ao regulador), a aquisição de novo material circulante e a concretização dos investimentos necessários na ferrovia e identificados no documento.

Estas são, aliás, exigências que o PCP já tinha referido numa conferência de imprensa recente sobre a situação na ferrovia. Para além disto, os comunistas pretendem que as várias empresas do sector, da manutenção à infra-estrutura, voltem a ser unificadas na CP – uma das questões identificadas pelo documento das CT –, a Medway (ex-CP Carga) seja renacionalizada, assim como o fim da parceria público-privado da Fertagus, cujo contrato termina no próximo ano.

abrilabril

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