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Direito de Lula ser candidato compõe Grito dos Excluídos 2018

Perseguição política e jurídica sofrida pelo ex-presidente integram evento popular que será realizado neste 7 de Setembro em Brasília.

A desigualdade e a violência se apresentam nas sociedades de diversas formas. No Brasil, o povo convive com essas duas lamentáveis condições com a volta da miséria, do desemprego, do aumento de homicídio e ainda tem de aturar a privação dos direitos individuais e coletivos, gerados, principalmente, por um Judiciário elitizado e arbitrário. E é por isso que, neste ano, o Grito dos Excluídos escolheu como tema “desigualdade gera violência: basta de privilégios”. O evento popular será realizado neste 7 de Setembro, a partir das 9h30, com concentração na Catedral, em Brasília.

De acordo com um dos organizadores do Grito, Fábio Miranda, que compõe o Movimento dos Trabalhadores e das Trabalhadoras por Direitos (MTD), a prisão políticade Lula e o impedimento de sua candidatura para presidência do Brasil refletem o tema da ação neste ano. “Temos diversos tipos de violência e de desigualdade. Por exemplo, se torna uma violência a desigualdade de acesso ao Judiciário, e como esse Poder lida com as demandas populares. O caso mais flagrante é a prisão de Lula. Lula é preso político. E ele está impossibilitado de ser candidato porque o Judiciário não quer ouvir a vontade popular”, explica.

Ainda fazem parte da pauta do Grito dos Excluídos de 2018 o combate ao feminicídio e à violência contra a mulher – que no DF, só neste ano, já fez 21 vítimas –, a demarcação das terras indígenas, entre outros pontos. “Todos esses temas conversam com a questão de que a desigualdade gera violência”, diz Fábio Miranda.

Segurança pública é caso de política

Assiste-se no Brasil um aumento estratosférico da violência. De acordo com o Atlas da Violência de 2018, em 2016 foram cometidos 62.517 assassinatos. O cenário assusta a população que se vê vulnerável diante de uma desesperança implantada pelo golpe de Estado que trouxe de volta não só a falta de segurança pública, mas a ausência de políticas públicas que consigam coibir (ou pelo menos amenizar) essa assustadora realidade.

Oportunamente, candidatos à presidência do Brasil apresentam, sem qualquer tipo de contextualização, a liberação do porte de armas como fator decisivo para coibir a violência. “A extrema direita, que tem como um dos principais representantes Jair Bolsonaro, aproveita o momento de crise para ludibriar a sociedade e tentar implantar suas pautas. Já foi mais do que comprovado, por diversos estudos, que liberar o porte de armas não coíbe a violência. Um exemplo é os Estados Unidos, que sofre com índices alarmantes de violência motivada, também, pela liberação do porte de armas”, denuncia Fábio Miranda.

De acordo com o estudo “Controle de armas no Brasil: O caminho a seguir”, realizado em 2015, a partir da análise de todos os Boletins de Ocorrência de latrocínio e tentativa de latrocínio registrados na cidade de São Paulo em 1998, verificou-se que “pessoas que andam armadas têm uma chance 56% maior de serem feridas ou mortas numa situação de roubo do que as pessoas que foram assaltadas e estavam desarmadas”.

No mesmo estudo, os pesquisadores mostram que “estudo realizado pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) revelou que 83% dos homicídios esclarecidos no Estado de São Paulo nos anos de 2011 e 2012 tiveram motivações fúteis, ou foram decorrência de ‘vinganças’, ‘desavenças’ e questões ‘passionais’.

Diante dos dados, Fábio Miranda, integrante do comitê que organiza o Grito dos Excluídos, explica que, nem sempre, “segurança pública é caso de polícia”. “A promoção da educação e de emprego, a geração de renda são questões essenciais para que haja a diminuição da violência no Brasil. Dizer que violência é apenas caso de polícia é transferir um problema coletivo para o indivíduo.”

E desde o golpe político-jurídico-midiático de 2016, o Brasil coleciona índices que vão totalmente na contramão do que aponta Fábio. Atualmente, o país soma mais de 13 milhões de desempregados, a miséria voltou a encher o prato do brasileiro, a educação pública sofreu cortes orçamentários nunca vistos antes e, consequentemente, não consegue atender à demanda da população.

O Grito dos Excluídos

O Grito dos Excluídos é um conjunto de manifestações que ocorre todos os anos, desde 1995, em diversos estados, no decorrer da semana da Independência do Brasil, em 7 de setembro.

Os manifestos, que compreendem atos públicos, marchas, seminários, debates e outros, têm o objetivo de dar visibilidade aos excluídos da sociedade, denunciando os dispositivos de exclusão e propondo formas alternativas para se alcançar um ambiente social mais inclusivo.

Por CUT Brasília

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