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Em Paris, centenas de pessoas vão às ruas dizer #EleNão

A mobilização de mulheres contra a candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência da República extrapolou as fronteiras do país e ganhou o mundo. Em Paris, cerca de 400 pessoas estão na Place de la République para se unir ao movimento #EleNão.

De acordo com a psicóloga Marília Velano, que foi à manifestação acompanhada da filha, embora a maioria dos participantes sejam brasileiros, alguns franceses se juntaram à mobilização, que começou às 15h, horário local.

Convocado pelo Facebook, o evento, que se iniciou a partir da mobilização de mulheres, terminou se ampliando e conta com a presença de vários homens.

Gente de todas as idades entoa palavras de ordem e canta músicas de resistência, como uma versão da canção italiana Bella Ciao, que diz: “Somos mulheres, a resistência/ De um Brasil sem fascismo e sem horror/ Vamos à luta, pra derrotar/ O ódio e pregar o amor”.

A engenheira Mariana Wanderley Bravard, de 40 anos, deixou os filhos em casa com o pai e foi sozinha ao ato. “Eu não posso aceitar um cara machista, misógino, racista e homofóbico. Sou pelos direitos humanos, pela igualdade social e pela democracia. Não entendo como esse cara pode estar com tanto voto. Não sou de abaixar os braços. Fascistas e golpistas não passarão», diz.

A advogada Annapaula Trindade Marinho, que mora em Paris há 27 anos,  conta que está no ato porque se classifica como “fanática pela democracia”. “Estou porque cresci com pais que sofreram com a ditadura de 1964, sou neta de um desembargador que em 1950 derrubou a censura do Diário de Pernambuco”, explica.

Formada em Direito pela Sorbonne, ela diz que não consegue entender a adesão de pessoas que tiveram acesso a livros e que conhecem a história do Brasil à candidatura de Bolsonaro. Ana Paula critica a plataforma de Bolsonaro e diz que “em uma democracia que se respeita, ele nem seria candiato”.

“É um programa político retrógrado, maluco, com alíquotas tributárias regressivas, ou seja, quanto mais o cidadão ganha, menos ele pagará impostos. Maior recuo para o Brasil não há”, condena.

Na sua avaliação, as declarações explicitamente misóginas, homofóbicas, de apologia à tortura e à exclusão” teriam tornado Bolsonaro inelegóvel na França. “Votar nele é ser cúmplice de todos os delitos que ele prega”, defende Annapaula.

Veja abaixo fotos e vídeos de autoria de Mariana Bravard:

Por Joana Rozowykwiat, do Portal Vermelho

 

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