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Moradores do «Jamaika» demarcam-se dos protestos

PORTUGAL.- A Associação para o Desenvolvimento Social de Vale de Chícharos afirma que os moradores do bairro não estiveram envolvidos nos protestos recentes, nem vão participar no protesto em frente à Câmara do Seixal. O tema não escapou ao debate quinzenal.

Num comunicado emitido ontem, a Associação para o Desenvolvimento Social de Vale de Chícharos, representativa dos moradores do bairro «Jamaika», nega qualquer envolvimento da população nos protestos.

No documento, a estrutura informa que «nem os moradores do bairro da Jamaika, nem a família Coxi, estiveram envolvidos na convocatória e na manifestação que decorreu em Lisboa no passado dia 21 de Janeiro».

«Não estamos, de igual modo, a organizar nenhuma manifestação para amanhã em frente à Câmara Municipal do Seixal e não iremos participar nas manifestações agendadas», acrescentam.

A associação de moradores afirma ainda que «as notícias que as estações televisivas estão a transmitir são inteiramente falsas e todas elas já foram informadas sobre essa situação e dos riscos decorrentes».

«Tudo o que queremos de momento é retomar as nossas rotinas diárias e seguir em frente», lê-se no fim do documento assinado por várias pessoas, entre as quais da família Coxi e Dirce Noronha, presidente da associação.

Moradores rejeitam espiral de violência

Em declarações à Rádio Renascença, a presidente da Associação para o Desenvolvimento Social de Vale de Chícharos, Dirce Noronha, afirmou que toda a situação decorrente dos eventos passados no bairro está a agravar ainda mais o problema.

«Está a gerar mais discordâncias. Está a gerar, de ambos os lados, a um apelo à violência, a coisas que não têm nada a haver com a situação», frisou, tendo acrescentado ainda que os moradores do Jamaica «estão tristes» com a onda de violência que surgiu após agressões do fim-de-semana.

«Aqui o problema são as condições de vida»

O tema do Bairro da Jamaica voltou a ser introduzido esta sexta-feira no debate quinzenal por Jerónimo de Sousa. O secretário-geral do PCP afirmou que «a denúncia da violência policial deve ser cabalmente investigada, mas não deve ser instrumentalizada».

O deputado recordou a proposta do PCP discutida na semana passada «para resolver os graves problemas de saúde e segurança no trabalho que atingem os profissionais das forças e serviços de segurança», que acabou por ser chumbada pelo PS, PSD e CDS-PP. Partidos que, acusou Jerónimo de Sousa, «enchem os discursos de referências a estes profissionais, mas parecem não estar preocupados com os seus problemas».

Em resposta ao eleito comunista, António Costa falou sobre o trabalho iniciado em Dezembro, em parceria com a Câmara Municipal do Seixal, de realojamento de 64 famílias, num total de 187 pessoas, sublinhando que «não vale a pena ter ilusões, aqui o problema é mesmo de condições de vida». O realojamento das famílias deste bairro, admitiu António Costa, deverá estar concluído em 2021.

abrilabril

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