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Peniche: 45 anos depois, a festa da libertação

Nomeai um a um todos os nomes. Lutaram e resistiram. A liberdade guarda a sua memória nas muralhas desta fortaleza.

Estas palavras de Borges Coelho, inscritas no memorial, foram o mote para as intervenções de Domingos Abrantes, em nome dos ex-presos políticos e da Comissão Instaladora do Museu, e da ministra da Cultura, Graça Fonseca.

Perante alguns milhares de pessoas, de ex-presos políticos e das suas famílias, Domingos Abrantes, na sua intervenção, lembrou o dia 27 de Abril de 1974 e a «acção da população de Peniche, de muitos populares e de famílias dos presos vindas de longe, dos militares de Abril, e em particular do Comandante Machado dos Santos», na libertação dos presos do Forte de Peniche, os últimos a serem libertados, sem esquecer que, ao mesmo tempo que, «por todo o país, multidões imensas ocupavam as ruas e as praças para vitoriar a conquista da liberdade, o general Spínola decidia manter a PIDE, nomear um novo director para a sinistra instituição e manter nas cadeias os presos políticos, que só viriam a ser libertados no dia 27».

Domingos Abrantes, sublinhou o facto de hoje ser também um dia de Festa «com a inauguração da primeira fase do Museu Nacional da Resistência e da Liberdade, na Fortaleza de Peniche»que concretiza uma «muito antiga reivindicação dos antifascistas». «A preservação das instalações da antiga cadeia é uma vitória da liberdade, da democracia e honra a memória de todos aqueles que se sacrificaram para que tivéssemos um país livre, acrescentou, chamando a atenção para a afirmação de Borges Coelho, inscrita no memorial: «a Liberdade guarda a sua memória nas muralhas desta Fortaleza».

Para o ex-preso político e actual membro do Conselho de Estado, este «não é ainda o Museu definitivo», considerando que «o dia de hoje assume a maior importância e desencadeia um enorme sentimento de regozijo se nos lembrarmos que em Outubro de 2016 muitos de nós aqui estivemos para manifestar o protesto, que foi apoiado por milhares de democratas, contra a ideia de fazer desaparecer este símbolo da repressão e da luta de resistência que é a cadeia do Forte de Peniche». Trata-se, não de saudosismo ou veneração, mas do «resgate da memória de antifascismo, para que as jovens gerações saibam o que significou o regime fascista, porque são marcas indispensáveis a uma política de educação dos valores democráticos e da liberdade».

Por fim, aproveitando a presença da ministra da Cultura, Domingos Abrantes colocou a questão «de se erguer um monumento nacional, num local público e digno e não num escuso átrio do Metro, em honra da luta pela liberdade, em memória dos muitos milhares que passaram pelas cadeias fascistas, dos que foram assassinados, dos que lutaram ou morreram na Guerra de Espanha, na Resistência francesa, nos campos de concentração nazis. Portugueses que ao lutarem contra o fascismo noutros países, lutaram pela nossa liberdade e resgataram o nome de Portugal do opróbrio fascista. Um objectivo que, a concretizar-se, seria uma muito boa forma de comemorar o 50.º aniversário do 25 de Abril».

A ministra da Cultura, depois de saudar todos quantos participaram e contribuíram para esta realidade que hoje já podemos ver, falou da prisão política de Peniche como «um símbolo maior da resistência ao fascismo» que «há 45 anos esperava por esta inauguração», um processo de construção que terá de «ser contínuo, como também o é a defesa da liberdade». «Um Museu Nacional, nosso, para todos nós, não como um lugar de peregrinação mas um lugar de ensinamento e conhecimento», acrescentou.

Graça Fonseca, depois de evocar o 25 de Abril e a conquista da liberdade e da democracia, manifestou a sua satisfação por este dia, sublinhando «o papel dos homens e mulheres que fizeram a história deste museu».

abrilabril

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