Balbúrdia ministerial prova crimes ainda mais graves

Durante a reunião, nenhum ministro apresentou estratégias para o enfrentamento do Coronavírus. Sem qualquer pudor, foram brigas, agressões e ofensas com o intuito de sustentar o governo, denuncia o deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR).

Vivemos em um país governado por psicopatas. Governantes que não estão minimamente preocupados com a vida da população. As imagens da reunião ministerial, divulgadas pelo Supremo Tribunal Federal, deixam evidente que a preocupação de Bolsonaro não é a população, e sim interesses pessoais e financeiros da sua família e de amigos.

São quase três horas de uma reunião conduzida em tom de arruaça, com ameaças, xingamentos, palavrões, calúnias e a completa definição da incompetência. O que mais chama atenção no vídeo não são os palavrões ou a falta de liturgia que o cargo de presidente exige, mas sim, a falta de sensibilidade em tratar assuntos essenciais para o momento. Na ocasião em que a gravação foi feita, dia 22 de abril, o Brasil contava com pouco mais de 46 mil casos confirmados pela COVID-19, e havia enterrado, aproximadamente, 3 mil pessoas. Naquele momento Jair Bolsonaro reuniu ministros, presidentes de bancos públicos e grande parte da equipe de governo durante horas, mas não ouvimos sequer uma palavra relativa ao sofrimento que a população estava e ainda está vivendo.

Durante a reunião, nenhum ministro apresentou estratégias para o enfrentamento do Coronavírus. Sem qualquer pudor, foram brigas, agressões e ofensas com o intuito de sustentar o governo. Enquanto Paulo Guedes afirmou que o governo apenas daria apoio financeiro às grandes empresas; Weintraub por sua vez, não citou qualquer programa para desenvolver a ciência ou a pesquisa nesse período, preferindo ficar nas ofensas e disputas. Outro descalabro vem de Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, que sugeriu aproveitar o momento para flexibilizar leis ambientais de “ir passando a boiada”.

Na ocasião em que a gravação foi feita, dia 22 de abril, o Brasil contava com pouco mais de 46 mil casos confirmados pela COVID-19, e havia enterrado, aproximadamente, 3 mil pessoas. Naquele momento Jair Bolsonaro reuniu ministros, presidentes de bancos públicos e grande parte da equipe de governo durante horas, mas não ouvimos sequer uma palavra relativa ao sofrimento que a população estava e ainda está vivendo.

A gravidade do vídeo não se limita a destruição do Estado e a incapacidade de se solidarizarem com quem sofre, com quem é humilhado nas agências da Caixa ou morre nas filas do SUS; o chefe do executivo federal ainda se mostra um presidente subversivo. Bolsonaro deixa claro que planeja uma luta armada no Brasil. No vídeo ele afirma que está atuando para armar a população, com propósitos políticos, além da disposição em distribuir armas para seus seguidores, afim de “garantir a força de sua vontade”.

Bolsonaro sabe que a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático de Direito ferem a Constituição Federal e a Lei de Segurança Nacional, mas ele quer o caos. Ele propaga a criação de uma convulsão social para ter a desculpa de usar armas e a força militar para implantar um regime ditatorial.

Em dezembro, Bolsonaro já tinha sido alertado sobre uma possível pandemia, mas nada fez. Em fevereiro já tínhamos o primeiro caso confirmado, e o governo continuou calado, omisso, sem um plano de ação que pudesse conter os efeitos da pandemia. O vídeo mostra que o governo não tem metas, prazos ou preocupação com a vida das pessoas. Eles são um amontoado de sanguinários, fazendo o pior tipo de política.

Não há dúvidas que o vídeo é uma prova que vai fortalecer os pedidos de impeachment. Já são mais de 30 pedidos e exigiremos que um deles tramite imediatamente na Câmara. Vamos continuar investigando e denunciando. Essa é a função do Congresso Nacional e do judiciário. Mesmo com todo o autoritarismo e o desejo de intervenção militar, Bolsonaro não vai nos calar. Impeachment já!

Zeca Dirceu é deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores do Paraná.

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