Há mais pessoas internadas apenas por razões sociais em Portugal

Barómetro de Internamentos Sociais regista crescimento de 87%. Há mais de 1.500 camas de hospital ocupadas por pessoas que já tiveram alta mas não têm para onde ir. Grande maioria dos casos acontece na Região Norte. Um quinto dos pacientes internados por covid-19 está nesta situação.

Barómetro de Internamentos Sociais(link is external) é um instrumento que se propõe medir o número de pessoas que estão internadas em hospitais portugueses, não por razões clínicas mas por razões sociais.

Da responsabilidade da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares é apoiado pela Sociedade Portuguesa de Medicina Interna e pela consultora EY.

O estudo lançado este ano(link is external) concluiu que 8,7% dos internamentos hospitalares são de ex-pacientes que continuam internados por não terem condições para sair da instituição. Ao todo, mais de 1.551 camas de hospital estão a ser ocupadas por esta razão num total de 17.826 internamentos relativos ao passado dia 18 de fevereiro.

Estes números correspondem a uma subida de 87% (mais 722 pessoas) relativamente ao estudo anterior. Para a subida, terá contribuído o aumento da amostra: de 79% o ano passado para 90% este ano. Por outro lado, o tempo médio de internamento social baixou. Em 2020 é 77,4 dias, menos 21% do que na terceira edição do estudo.

57% dos internamentos sociais acontecem porque depois da alta clínica o utente fica à espera de vaga na Rede Nacional de Cuidados Continuados. 16% é devido à “incapacidade de resposta familiar ou do cuidador” e 9% das pessoas estão a aguardar vaga num lar de terceira idade.

A região Norte do país concentra a esmagadora maioria dos casos, cerca de 73%. Lisboa e Vale do Tejo fica a grande distância com 15% e o Centro ainda mais com 8%.

Um quinto de internados com covid-19 continua no hospital por razões sociais

Paralelamente ao estudo principal que vai na sua quarta edição, as mesmas entidades realizaram um inquérito que visava particularmente a covid-19. Nele, concluíram que uma em cada cinco pessoas internadas está lá por razões sociais. A maioria tem mais de 70 anos.

Estes dados referem-se a 5 de maio passado e compilam informação proveniente de 32 instituições, cobrindo 810 internamentos. 147 permaneciam internados por razões de saúde. São 18% do total.

No caso do novo coronavírus, a média de dias em que os pacientes ficaram na instituição depois da alta clínica foi de 16,5. A maioria tem mais de 80 anos (55%) e 22% tem entre 70 e 79 anos. 29% ficaram porque a família ou o cuidador eram incapazes de dar resposta à sua situação. 23% porque o lar onde estavam não garantia as condições de isolamento.

esquerda.net

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