Com doação de cloroquina, Trump quer transformar Brasil em laboratório e povo em cobaia

Acordo entre EUA e Brasil permitiu a entrega de dois milhões de doses de hidroxicloroquina (HCQ) para “ajudar a defender enfermeiros, médicos e profissionais de saúde do Brasil”, além da utilização da droga “no tratamento de brasileiros infectados” pelo coronavíus. Em maio, por questões de segurança, os testes com hidroxicloroquina foram suspensos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) por tempo indeterminado.

O governo brasileiro anunciou nesta semana, por meio do Ministério das Relações Exteriores, um acordo de cooperação com os EUA. O acordo permitiu a entrega ao Brasil de dois milhões de doses de hidroxicloroquina (HCQ) para “ajudar a defender enfermeiros, médicos e profissionais de saúde do Brasil”, além da utilização “no tratamento de brasileiros infectados” pelo coronavíus. No domingo, os dois países emitiram comunicado conjunto sobre o acordo. De acordo com a nota, “como continuação da colaboração de longa data dos dois países em questões de saúde, também estamos anunciando um esforço de pesquisa conjunto Brasil- Estados Unidos, que incluirá testes clínicos controlados randomizados”.

Em outras palavras, os EUA planejam transformar o povo em cobaia e o Brasil em laboratório aberto de pesquisa sobre a droga. Em maio, os testes com hidroxicloroquina foram suspensos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) por tempo indeterminado por óbvias questões de segurança. O novo protocolo para ampliar a recomendação do uso da cloroquina por pacientes do novo coronavírus foi autorizado pelo ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, no dia 20 de maio.

Testes feitos por pesquisadores americanos revelaram que, além de a hidroxicloroquina não ter eficácia comprovada no tratamento de pacientes infectados pela Covid-19, a droga ainda pode causar problemas cardíacos nos doentes. Um mero detalhe para Trump e Bolsonaro, para quem “o povo brasileiro e o povo norte-americano solidarizam-se na luta contra o coronavírus”, de acordo com a nota divulgada pelo Itamaraty.

“Esses testes ajudarão em avaliações adicionais sobre a segurança e a eficácia da HCQ tanto para a profilaxia quanto para o tratamento precoce do coronavírus”. O ministério observa ainda que “os dois países estão bem posicionados para continuar seu trabalho conjunto no enfrentamento da pandemia do coronavírus, bem como em outros assuntos de importância estratégica”.

Negaciosnismo delirante

A celebrada “aliança” entre Trump e Bolsonaro corrobora os motivos pelos quais o comportamento de ambos levou EUA e Brasil a tornarem-se o epicentro da pandemia do coronavírus no mundo: o negacionismo delirante em relação à ciência, o populismo rasteiro, materializado em declarações estapafúrdias – quando não simplesmente falsas -, e demonstrações contundentes de desprezo pela vida humana.

Não à toa, o diário americano ‘ The New York Times’ publicou reportagem na terça-feira (2) associando o populismo de Trump, Bolsonaro, Boris Johnson e Vladimir Putin, ao aumento desenfreado do coronavírus nos EUA, Brasil, Reino Unido e Rússia, nações comandadas pelo quarteto.

De acordo com a reportagem, no Brasil, Bolsonaro demitiu o ministro da Saúde e vem pressionando os governadores para encerrar medidas de quarentena. Nos Estados Unidos, Trump rejeitou a opinião de especialistas por quase dois meses, prevendo que o vírus desapareceria “como um milagre”. Na Grã-Bretanha, o governo de Johnson inicialmente incentivou as pessoas a continuarem a socializar, mesmo quando outros países estavam se fechando. O negacionismo de Boris Johnson quase custou-lhe a vida: infectado pelo coronavírus, o primeiro-ministro foi internado em uma UTI, onde passou duas semanas, alguns dias em estado grave.

Segundo o diário americano, os quatro líderes têm muitas diferenças, “é claro, assim como seus países. No entanto, todos são versões do que Daniel Ziblatt, professor do governo de Harvard e co-autor do livro “Como morrem as democracias”, chama de “populismo radical liberal de direita”. A reportagem afirma que muitos cientistas políticos consideram que o padrão não é uma coincidência. “Os populistas iliberais tendem a rejeitar as opiniões dos cientistas e a promover as teorias da conspiração”, observa o jornal. A reportagem informa que o grupo também tem em comum o fato de ter desrespeitado recomendações de proteção individual, recusando-se a usar máscaras ou insistindo em adotar gestos perigosos como apertos de mão, especialmente em aglomerações.

Pesquisas conduzidas por especialistas de saúde revelam que a demora nas reações dos governos tem relação direta com a velocidade de propagação do vírus. Uma dela foi coordenada por Thomas Hale, da Escola de Governo Blavatnik da Universidade de Oxford. Muitos dos países que estão vendo surtos graves agora compartilham um “reconhecimento tardio da urgência da crise”, disse Hale.

Outra coincidência, segundo o ‘Times’,  dá conta de que os líderes que responderam mais lentamente à pandemia mencionaram a necessidade de priorizar o crescimento econômico como justificativa para suas estratégias. “Mas a dicotomia entre economia e saúde pública não pode existir, dizem cientistas e economistas: O caminho mais rápido para a normalidade econômica envolve controlar a propagação do vírus”, diz a reportagem. “Existe essa falsa tensão entre a saúde pública e a saúde econômica”, confirma Wafaa El-Sadr, epidemiologista da Universidade de Columbia.

Da Redação, com agências internacionais PT

About ELCOMUNISTA.NET (71665 Articles)
Síguenos en Twitter @elcomunistanet Síguenos en Facebook grupo: el comunista prensa roja mundo hispano Nuestro e mail: elcomunistaprensa@yahoo.com
A %d blogueros les gusta esto: