Trabalho infantil aumentou pela primeira vez em 20 anos

No Dia Mundial contra o Trabalho Infantil, o relatório da OIT e UNICEF diz que as causas do aumento do trabalho infantil são o desemprego e a crise provocada pela covid-19, que obrigou ao fecho das escolas.

De acordo com o Diário de Notícias(link is external), foi apresentado esta sexta-feira, no Dia Mundial contra o Trabalho Infantil, um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da UNICEF que alerta para o primeiro aumento de trabalho infantil em 20 anos. Os motivos apontados são o desemprego e a crise provocada pela covid-19, mas também algumas medidas aplicadas pelos governos, como por exemplo, o encerramento das escolas.

O relatório com o nome de “Covid-19 e trabalho infantil: um tempo de crise, um tempo para agir” refere que as crianças que já sofrem com o trabalho infantil podem ver esta situação agravar-se, sendo obrigadas a trabalhar mais horas ou em condições mais precárias.

«Como a pandemia causa danos ao rendimento familiar, sem apoio, muitos podem recorrer ao trabalho infantil», diz o diretor-geral da OIT, Guy Ryder, citado num comunicado sobre o relatório.

O documento também alerta que as medidas aplicadas pelos governos para travar o contágio da covid-19 podem levar a um aumento da pobreza e em consequência ao aumento do trabalho infantil.

Henrietta Fore, diretora executiva da UNICEF, diz que «em tempos de crise, o trabalho infantil torna-se num mecanismo para lidar com a crise para muitas famílias». O encerramento das escolas e o défice que existe nos apoios sociais podem agravar esta situação. O encerramento temporário das escolas está a afetar mais de 1,6 milhões de alunos em mais de 130 países, o que é realmente preocupante porque para “além dos benefícios educativos, as escolas fornecem recursos críticos de proteção social para crianças e suas famílias”.

Em Portugal, a situação também representa um risco. Quem o denuncia é a Confederação Nacional de Combate ao Trabalho Infantil (CNASTI) que diz que há crianças a trabalhar no país, sobretudo na restauração.

A CNASTI informa que tem recebido várias denúncias através da internet que correspondem a casos de menores a trabalhar na área da restauração.

Entre as propostas apresentadas para combater o trabalho infantil encontram-se uma maior proteção social, tal como facilitar o acesso ao crédito às famílias mais pobres. Também a eliminação das propinas escolares e mais recursos para inspeções laborais são algumas das medidas apresentadas.

De acordo com a OIT, perto de 218 milhões de crianças com as idades entre os 5 e os 17 anos estão a trabalhar. Metade destas crianças encontram-se no continente africano e 62,1 milhões estão na Ásia e no Pacífico. Europa e Ásia Central têm 5,5 milhões.

esquerda.net

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