ZERO denuncia depósito ilegal com 30 mil toneladas de resíduos perigosos em Setúbal

A descoberta feita nas imediações das antigas instalações da Metalimex deixou «estupefacto e apreensivo» um dos organizadores do movimento pela retirada das escórias importadas pela empresa no final dos anos 1980.

Em comunicado citado pelo Observador(link is external), a associação ZERO refere que estes resíduos poderão ser provenientes das escórias de alumínio que alegadamente teriam sido deslocadas para a Alemanha em 1998, pois estão localizados a 600 metros da antiga empresa Metalimex.

A ZERO sublinha que “poderemos estar confrontados com uma situação de um grave risco ambiental, se tivermos em consideração que estes resíduos perigosos estiveram em contacto com o ambiente durante todo este tempo, podendo ter originado situações de poluição do solo e das águas superficiais e subterrâneas”.

O Ministério do Ambiente e da Ação Climática (MAAC) já foi alertado pela ZERO que pretende que sejam apuradas as responsabilidades relativas a esta situação, visto ser “um atestado de total incapacidade das autoridades ambientais portuguesas que, ao longo de mais de 20 anos, desconheceram a sua existência”. O Ministério, por sua vez, refere que a denúncia da ZERO está a ser verificada pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDRLVT).

As análises ao local demonstram, segundo a associação, elevados teores de óxidos de alumínio, magnésio, enxofre, potássio e cálcio que poderão ser um perigo iminente para a saúde das populações, podendo provocar problemas cancerígenos ou problemas do foro ocular. A ZERO pretende também ter aceso ao relatório da empresa Bureau Veritas, responsável pela auditoria do processo que na altura culminou com a deslocação dos resíduos para a Alemanha, bem como que haja uma “avaliação da eventual contaminação do solo e das águas subterrâneas do local onde os resíduos estão depositados”, por forma a retirar estes resíduos do local.

Entre 1987 e 1990, a empresa Metalimex armazenou em Setúbal cerca de 30 mil toneladas de escórias de alumínio vindas da Suíça para a instalação de uma indústria de recuperação de alumínio. No entanto, a Metalimex nunca chegou a criar este estabelecimento industrial e teve mesmo que devolver as escórias, após notificação da Direção-Geral da Qualidade do Ambiente.  Após acordo dos Governo Suíço e português, foi determinado enviar para a Alemanha em 18 de maio de 1995 as escórias segundo recorda o mesmo comunicado.

O último carregamento para a Alemanha teve lugar em 1998, num total de duas mil toneladas, sendo que, segundo a ZERO, sobram estas 30 mil toneladas em Vale da Rosa, Setúbal.

Descoberta da Zero «é de uma enorme gravidade», diz ativista ambiental que participou no movimento pela retirada das escórias

Em declarações ao esquerda.net, o ativista ambiental Jaime Pinho, que esteve no início da luta pela retirada dos resíduos na década de 90 refere que “é de uma enorme gravidade a situação descoberta pela associação ZERO, porque se trata de um gigantesco depósito de resíduos tóxicos perigosos que está a poucos metros da Reserva Natural do estuário do Sado”. Jaime Pinho alerta também para o perigo para os lençóis freáticos e mostra-se “estupefacto e apreensivo com os impactos que esses resíduos possam ter causado ao longo destas décadas”.

Para Jaime Pinho, a confirmar-se esta situação, ela revela um estranho silêncio e desconhecimento das autoridades, como o Ministério de Ambiente, da Reserva Natural do Estuário do Sado, da Câmara e Junta de Freguesia. E considera que a Metalimex deve ser responsabilizada por esta situação.

O ativista mostra-se também preocupado porque “isto acontece numa zona periférica da cidade de Setúbal onde moram pessoas, onde há bairros operários e onde se localiza a grande poluição industrial desde os anos 50 e 60”.  “São pessoas martirizadas ao longo das décadas pela poluição atmosférica e do rio”.

Jaime Pinho lembra que que na altura houve uma enorme mobilização popular que obrigou o Governo a intervir e a empresa a deslocalizar para a Alemanha os resíduos, o que deixou a população aliviada, e que é lamentável que “depois daquele espetáculo mediático em que tudo estava resolvido, deixando toda a gente descansada, vem-se agora a descobrir que a empresa de tratamentos dos resíduos, com conivências que espero que se venham a descobrir, pregou-nos uma grande partida.”

esquerda.net

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